O Grupo dos Oito e o início do tradicionalismo organizado

O Grupo dos Oito ocupa um lugar simbólico na história tradicionalista. Em 5 de setembro de 1947, oito jovens vestidos à maneira campeira participaram, a cavalo, da recepção aos restos mortais do general farroupilha David Canabarro em Porto Alegre. A cena pública anunciava algo novo: referências rurais passavam a ser organizadas por estudantes dentro da…

O Grupo dos Oito ocupa um lugar simbólico na história tradicionalista. Em 5 de setembro de 1947, oito jovens vestidos à maneira campeira participaram, a cavalo, da recepção aos restos mortais do general farroupilha David Canabarro em Porto Alegre. A cena pública anunciava algo novo: referências rurais passavam a ser organizadas por estudantes dentro da capital.

Os oito eram estudantes do Colégio Estadual Júlio de Castilhos e integravam um departamento de tradições gaúchas criado no grêmio estudantil. As listas de nomes reproduzidas em fontes podem apresentar pequenas variações de grafia, razão pela qual documentos do período merecem consulta direta. Mais importante do que decorar uma relação é entender o papel coletivo do grupo.

Um setembro decisivo

Dois dias depois do cortejo, à meia-noite de 7 de setembro, uma centelha foi retirada da Pira da Pátria. Paixão Côrtes, Fernando Machado Vieira e Cyro Dutra Ferreira a conduziram até o colégio, onde ficou acesa até 20 de setembro. Assim começou a primeira Ronda Gaúcha.

Durante aqueles dias, ocorreram encontros, palestras, apresentações e demonstrações de práticas regionais. O grupo não estava simplesmente repetindo uma festa antiga. Criava uma forma nova de comemoração, conectando símbolos cívicos, memória farroupilha e sociabilidade estudantil.

Do grupo à entidade

Encerrada a Ronda, as reuniões continuaram. Jovens e colaboradores buscaram informações com familiares, pessoas do interior, músicos e conhecedores de costumes. Em 24 de abril de 1948, fundaram o 35 CTG.

A expressão “Grupo dos Oito” tornou-se uma narrativa de origem. Como toda narrativa fundadora, ela ilumina certos acontecimentos e pode deixar outros personagens na sombra. Mulheres, familiares, informantes e comunidades que forneceram repertórios também participaram da formação cultural do movimento, embora nem sempre apareçam com a mesma visibilidade.

Por que o episódio importa

O Grupo dos Oito mostra que o tradicionalismo organizado surgiu em ambiente urbano e moderno. Seus integrantes usaram associação estudantil, imprensa, cerimônias públicas e pesquisa para construir continuidade com o passado. Não fugiam da modernidade: respondiam a ela.

Essa perspectiva torna a história mais interessante. O movimento não foi encontrado pronto num galpão antigo; foi elaborado por pessoas que escolheram o que preservar, como apresentar e para quem transmitir.

Fontes consultadas

  • Movimento Tradicionalista Gaúcho. História do MTG.
  • Movimento Tradicionalista Gaúcho. Caderno Piá — Origem do 35 CTG e dos Festejos Farroupilhas (2017), acervo documental do projeto.

Sobre este conteúdo

O Mapa da Tradição identifica fontes, autoria e revisão editorial sempre que possível. Quer falar sobre esta publicação? Entre em contato.