Paixão Côrtes: trajetória e contribuição para a cultura gaúcha

João Carlos d’Ávila Paixão Côrtes foi folclorista, pesquisador e um dos principais articuladores do tradicionalismo gaúcho. Nascido em Santana do Livramento em 1927, tornou-se conhecido ainda jovem pelos acontecimentos de 1947 que levariam à criação do 35 CTG. Sua contribuição, porém, foi muito além da imagem do cavaleiro retirando uma centelha da Pira da Pátria.…

João Carlos d’Ávila Paixão Côrtes foi folclorista, pesquisador e um dos principais articuladores do tradicionalismo gaúcho. Nascido em Santana do Livramento em 1927, tornou-se conhecido ainda jovem pelos acontecimentos de 1947 que levariam à criação do 35 CTG.

Sua contribuição, porém, foi muito além da imagem do cavaleiro retirando uma centelha da Pira da Pátria. Paixão Côrtes percorreu localidades, entrevistou pessoas, registrou músicas, danças, vestimentas e modos de fazer. Parte importante desse trabalho ocorreu ao lado de Luiz Carlos Barbosa Lessa e outros pesquisadores.

Pesquisa que virou repertório

No meio do século XX, muitas práticas rurais estavam mudando com urbanização, rádio, novos transportes e transformações do trabalho. Os pesquisadores buscaram lembranças e performances entre pessoas mais velhas, compararam versões e levaram resultados a cursos, livros e palcos.

Esse processo ajudou a difundir danças tradicionais e a formar instrutores. Também envolveu escolhas: uma prática registrada em determinado lugar podia ser organizada numa sequência ensinável e apresentada como referência gaúcha. Por isso, seu trabalho deve ser reconhecido tanto por preservar informações quanto por participar da construção do repertório tradicionalista contemporâneo.

Um rosto que virou monumento

Paixão Côrtes serviu de modelo para a estátua do Laçador, criada pelo escultor Antônio Caringi e inaugurada em Porto Alegre em 1958. A figura tornou-se símbolo oficial da cidade. O episódio mostra como sua presença corporal — pilcha, postura e gestos — ajudou a fixar uma imagem pública do gaúcho.

Ao longo da vida, atuou como agrônomo, publicou pesquisas e participou de inúmeras iniciativas culturais. Morreu em 2018, deixando acervo e influência que ainda atravessam escolas, CTGs, grupos de dança e estudos acadêmicos.

Como ler esse legado

Tratar Paixão Côrtes como personagem central não significa atribuir a ele sozinho a criação de uma cultura. As fontes que recolheu vieram de comunidades, famílias, músicos e dançarinos. Outros articuladores também foram decisivos, e novas pesquisas têm ampliado o olhar para grupos pouco reconhecidos nas narrativas clássicas.

Seu legado fica mais claro quando visto em contexto: um pesquisador e agente cultural que transformou memórias dispersas em repertório público, ajudando a criar uma das redes associativas mais extensas do estado.

Fontes consultadas


Sobre este conteúdo

O Mapa da Tradição identifica fontes, autoria e revisão editorial sempre que possível. Quer falar sobre esta publicação? Entre em contato.