Não existe uma lista capaz de resumir tudo o que se dançou no Rio Grande do Sul. Ainda assim, algumas danças tornaram-se especialmente conhecidas pelo trabalho de pesquisa, ensino e apresentação das invernadas. Conhecer seus traços ajuda a assistir com mais atenção.
Pezinho
Dançado em pares, combina marcações com os pés, giros e aproximações. A melodia cantada tornou-o familiar também fora dos palcos tradicionalistas. Sua aparência simples exige coordenação e leveza para que o movimento não fique mecânico.
Chimarrita
O nome reúne versões e uma longa circulação de matriz portuguesa e açoriana. Nas formas apresentadas por grupos gaúchos, aparecem deslocamentos de pares e figuras coletivas. Música e coreografia podem variar conforme a versão adotada.
Balaio
É lembrado pelo desenho feito pelas saias e pelo caráter vivo da movimentação. Os pares formam figuras e alternam momentos, produzindo um efeito visual que explica o nome associado ao balaio. Não se resume, porém, ao figurino: ritmo e relação entre dançarinos sustentam a dança.
Tatu
Há diferentes cantigas e versões ligadas ao nome. No repertório tradicionalista, o Tatu pode apresentar sapateio masculino, sarandeio feminino e momentos de interação entre pares. É um bom exemplo de como narrativa cantada, gesto e desafio se combinam.
Quero-mana
Dança de pares com deslocamentos e trocas que exigem atenção ao conjunto. Seu andamento favorece uma interpretação elegante e social. Como em outras danças, a versão de palco costuma ter marcações definidas para todos os participantes.
Anu
Apresenta figuras coletivas, comandos e partes cantadas ou declamadas em algumas versões. O grupo precisa manter unidade sem apagar o caráter descontraído sugerido pela dança.
Chula
É uma dança de desafio, tradicionalmente executada por dançarinos que realizam passos sobre e ao redor de uma lança colocada no chão. Um participante propõe a sequência e o outro responde. Força sem precisão não basta: musicalidade, clareza e domínio corporal são essenciais.
Tirana do Lenço e Maçanico
A Tirana do Lenço utiliza o acessório como parte da relação entre os dançarinos. O Maçanico tem caráter animado e figuras que dependem do alinhamento dos pares. Ambos mostram como pequenos objetos ou deslocamentos coletivos podem dar identidade a uma coreografia.
Uma observação importante
Os nomes acima não autorizam uma única versão “eterna”. Pesquisas, manuais e regulamentos definem formas específicas para ensino e concurso, enquanto fontes históricas podem registrar variações. Ao descrever uma apresentação, é melhor informar qual referência o grupo utiliza.
Fontes consultadas
- Movimento Tradicionalista Gaúcho. Vice-presidência Artística.
- UFRGS. Pesquisa sobre danças tradicionais gaúchas.
- Movimento Tradicionalista Gaúcho. Painel técnico sobre Danças Tradicionais Gaúchas (2024), acervo documental do projeto.
