Como surgiu o Movimento Tradicionalista Gaúcho

O Movimento Tradicionalista Gaúcho não nasceu em um único dia. Sua formação passou por clubes regionalistas, iniciativas estudantis, fundação de CTGs e encontros realizados ao longo de quase duas décadas. A criação formal do MTG, em 1966, foi o resultado de uma rede que já se espalhava pelo Rio Grande do Sul. Experiências anteriores aos…

O Movimento Tradicionalista Gaúcho não nasceu em um único dia. Sua formação passou por clubes regionalistas, iniciativas estudantis, fundação de CTGs e encontros realizados ao longo de quase duas décadas. A criação formal do MTG, em 1966, foi o resultado de uma rede que já se espalhava pelo Rio Grande do Sul.

Experiências anteriores aos CTGs

No fim do século XIX, intelectuais e associações já demonstravam interesse pelos costumes regionais. O Grêmio Gaúcho de Porto Alegre, criado em 1898 sob a liderança de Cezimbra Jacques, é frequentemente citado como antecedente do tradicionalismo organizado. Outras entidades surgiram nas décadas seguintes.

Essas iniciativas mostram que a preocupação com a identidade regional não começou em 1947. O que mudou naquele momento foi a capacidade de transformar a proposta em um modelo associativo que se multiplicaria rapidamente.

A mobilização de 1947

No pós-guerra, Porto Alegre crescia e recebia novas referências culturais trazidas pelo cinema, pelo rádio e pela indústria. Jovens do Colégio Júlio de Castilhos, muitos deles oriundos do interior, percebiam uma distância entre a vida urbana e as memórias campeiras que valorizavam.

Liderado por João Carlos Paixão Côrtes, um grupo criou o Departamento de Tradições Gaúchas do grêmio estudantil. Oito jovens, montados e vestidos à gaúcha, formaram uma guarda de honra durante a chegada a Porto Alegre dos restos mortais de David Canabarro. Em setembro, organizaram a primeira Ronda Gaúcha e acenderam o Candeeiro Crioulo com uma centelha retirada da Pira da Pátria.

Esses atos tinham uma dimensão cívica e teatral. Criavam símbolos capazes de reunir pessoas em torno de uma ideia de continuidade entre passado e presente.

O 35 CTG e a criação de um modelo

Em 24 de abril de 1948 foi fundado, em Porto Alegre, o 35 Centro de Tradições Gaúchas. O nome fazia referência a 1835, ano de início da Revolução Farroupilha. A estrutura da entidade adotou vocabulário campeiro: a diretoria tornou-se patronagem; o presidente, patrão; os setores de atividade, invernadas.

Paixão Côrtes, Barbosa Lessa, Glaucus Saraiva e outros integrantes tiveram papéis importantes nessa organização. O modelo do 35 chamou a atenção da imprensa e inspirou a fundação de novos centros em várias cidades.

Dos CTGs aos congressos

O crescimento trouxe uma pergunta prática: como articular entidades criadas em lugares diferentes? Em 1952, uma assembleia realizada em Pelotas debateu a criação de uma federação. O primeiro Congresso Tradicionalista aconteceu em Santa Maria, em 1954, reunindo representantes para discutir princípios e rumos comuns.

Os congressos seguintes produziram teses e documentos. A Carta de Princípios, aprovada em 1961, estabeleceu objetivos culturais, cívicos e sociais. Ao mesmo tempo, conselhos de coordenação procuravam organizar calendários e relações entre as entidades.

A criação formal do MTG

Em 28 de outubro de 1966, durante o 12º Congresso Tradicionalista Gaúcho, em Tramandaí, foi decidida a organização da associação de entidades chamada Movimento Tradicionalista Gaúcho. A partir daí, o movimento passou a contar com uma estrutura federativa mais definida.

Essa data marca o nascimento institucional do MTG, mas não apaga as etapas anteriores. Pode-se dizer que 1947 inaugura uma mobilização, 1948 cria o modelo do CTG e 1966 formaliza a federação.

Expansão e transformação

O tradicionalismo cresceu junto com as migrações de gaúchos para outros estados e países. CTGs tornaram-se espaços de encontro para pessoas distantes de sua terra de origem. No Rio Grande do Sul, a rede estruturou eventos artísticos, campeiros e culturais de grande porte.

O movimento também mudou. Mulheres, inicialmente excluídas da associação do 35 CTG, passaram a participar e ocupar funções importantes. Crianças e jovens ganharam categorias e atividades próprias. Debates sobre diversidade, pesquisa histórica e atualização de regras continuam mostrando que a organização não ficou parada em 1966.

Fontes consultadas


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