Todos os anos, uma chama percorre estradas, passa por cavaleiros e chega a galpões, praças e acampamentos do Rio Grande do Sul. É a Chama Crioula, símbolo que abre o ciclo dos Festejos Farroupilhas e conecta uma cerimônia contemporânea à memória construída pelo tradicionalismo.
Sua origem está em Porto Alegre, em 1947. Na noite de 7 de setembro, jovens liderados por João Carlos Paixão Côrtes retiraram uma centelha do fogo da Pira da Pátria e a conduziram até o Colégio Júlio de Castilhos. Aquele fogo permaneceu aceso durante a primeira Ronda Gaúcha, organizada de 7 a 20 de setembro.
Um gesto que ganhou novos sentidos
O ato de 1947 aconteceu num período de mobilização de estudantes interessados em valorizar referências regionais. Paixão Côrtes, Fernando Machado Vieira e Cyro Dutra Ferreira participaram da condução da centelha. O gesto associava as comemorações cívicas da Independência à memória da Revolução Farroupilha.
Com o crescimento do movimento tradicionalista, a chama deixou de ser uma experiência de um pequeno grupo. Passou a ser acesa anualmente em locais escolhidos por seu significado histórico ou cultural e distribuída às Regiões Tradicionalistas. Dali segue para municípios e entidades.
O acendimento e a distribuição
A programação muda a cada edição. Em geral, existe um Acendimento Oficial, do qual participam representantes do tradicionalismo e do poder público. Cavaleiros transportam a chama em recipientes apropriados e, depois, delegações regionais levam centelhas a seus territórios.
Não há uma única rota estadual fixa. Percursos, datas e pontos de recepção dependem da organização do ano, das distâncias e das condições locais. Por isso, quem deseja acompanhar precisa consultar o calendário do MTG, da Região Tradicionalista e do município.
O que a chama simboliza
No discurso tradicionalista, o fogo representa continuidade, identidade e transmissão entre gerações. A chama é uma imagem poderosa porque precisa de cuidado: pode ser repartida sem diminuir e só permanece acesa se alguém a proteger.
Como todo símbolo, ela recebe interpretações diferentes. Para alguns, é lembrança dos acontecimentos farroupilhas; para outros, representa o conjunto das tradições regionais ou o trabalho das entidades. Compreender sua história ajuda a evitar a ideia de um rito vindo intacto do século XIX. A Chama Crioula nasceu em 1947 e, desde então, foi ampliada e ressignificada.
Cerimônia e responsabilidade
Transportar fogo exige planejamento, equipamentos adequados e atenção às normas de segurança e trânsito. As cavalgadas envolvem ainda bem-estar animal, apoio logístico, hidratação e avaliação de trajetos. O valor simbólico não dispensa o cuidado prático.
Ao chegar às comunidades, a chama costuma permanecer acesa durante a programação farroupilha. Cerimônias, apresentações, palestras, desfiles e encontros acontecem ao redor dela. Mais do que um objeto isolado, ela funciona como ponto de abertura de uma temporada de memória e convivência.
Perguntas frequentes
A Chama Crioula surgiu na Revolução Farroupilha?
Não. Ela foi criada em 1947, inspirada na memória regional e no fogo cívico da Semana da Pátria.
A chama vem sempre do mesmo lugar?
Não. O local do Acendimento Oficial pode mudar a cada ano.
Qual é a relação com a Semana Farroupilha?
A chegada e a distribuição da chama marcam a abertura simbólica dos Festejos Farroupilhas nas regiões e municípios.
Fontes consultadas
- Movimento Tradicionalista Gaúcho. Caderno Piá — O acendimento da Chama Crioula (2015), acervo documental do projeto.
- Secretaria da Cultura do Rio Grande do Sul. Programação dos Festejos Farroupilhas 2026.
- Movimento Tradicionalista Gaúcho. Trajeto da Chama do Congresso.
